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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Greenpeace atrapalha ex-ministra

BRASÍLIA (Folhapress) - Apesar de ter recebido o apoio de ambientalistas e lideranças do PV, Dilma Rousseff (PT) apresentou, ontem, em Brasília, um programa para a área ambiental genérico, que em alguns casos se limita a prometer cumprir a lei. O evento foi tumultuado. A petista teve sua fala interrompida por duas manifestantes do Greenpeace que, portando cartazes, tentaram obter dela o compromisso com a proposta de desmatamento zero e de defesa de uma lei de incentivo a energia eólica e solar.
Militantes do PT tentaram retirar as manifestantes da sala, aos gritos de “fora, tucanos!’’, mas foram impedidos pela própria candidata. Apesar disso, Dilma se recusou a assinar o documento. “Não faço leilão político para ganhar apoio’’, ralhou. “A minha assinatura não vai em qualquer compromisso que botam na minha frente e dizem: “Assina!’, porque isso é desrespeitoso’’. O programa foi distribuído em um ato no Hotel Nacional, que reuniu verdes como os deputados federais Sarney Filho (MA) e Edson Duarte (BA), além da filha de Chico Mendes, Ângela.
Também estiveram presentes no ato representantes de movimentos sociais, como Via Campesina e MST. O líder do MLST, Bruno Maranhão, envolvido na invasão da Câmara dos Deputados em 2006, assistiu ao ato da plateia, como convidado dos movimentos sociais, e esteve com Dilma na sala VIP do hotel. A senadora Marina Silva (PV-AC) minimizou a decisão de parte do PV apoiar Dilma. “Cada integrante do partido tem sua posição individual’’.
No programa, de 13 páginas, as palavras “sustentável’’ e “sustentabilidade’’ aparecem 45 vezes. Apesar disso, uma das únicas inovações em relação a políticas já adotadas pelo Governo diz respeito ao Código Florestal. Dilma promete “vetar iniciativas que impliquem anistia a desmatadores ou redução de áreas de reserva legal e preservação permanente‘’. “O resto é vago o suficiente para se cumprir ou deixar de cumprir segundo a vontade da candidata’’, afirma Sérgio Leitão, do Greenpeace. “A candidata tergiversa sobre os compromissos na área ambiental’’, diz.
Em ao menos dois casos, o programa petista promete apenas cumprir a lei. Um deles é a promessa de cumprir as metas de redução de gases-estufa propostas na conferência de Copenhague, que incluem o corte no desmatamento amazônico em 80% até 2020. Quando chefe da Casa Civil, Dilma se opôs à adoção das metas. O outro é que, na construção de hidrelétricas, “serão garantidos os direitos das populações afetadas (...) e sua participação em discussões’’.

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