O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) arrastou uma multidão, ontem, na caminhada pelo centro do Recife que encerrou a campanha da presidenciável Dilma Rousseff (PT) - a candidata não veio porque passou o dia se preparando para o debate da TV Globo. Cem mil pessoas, de acordo com a Polícia Militar, acompanharam o petista, o governador reeleito Eduardo Campos (PSB) e as principais lideranças da Frente Popular nos quase três quilômetros de percurso. O que se viu foi uma grande comoção popular em um misto de apoio a Dilma e, principalmente, último adeus a um dos presidentes mais populares da história do Brasil.
A chuva e o início do feriadão não impediram os simpatizantes de transformarem a avenida Conde da Boa Vista em um “mar vermelho”. Com uma hora e 15 minutos de atraso, o ato começou às 17h15, na Praça Oswaldo Cruz. Lula veio de São Paulo, onde participou do Salão do Automóvel, direto para a caminhada, que durou exatamente uma hora. Ao fim, o petista seguiu para São Bernardo do Campo, onde acompanhou o debate. A chuva não deu trégua, mas o presidente ainda cumprimentou alguns populares antes de subir no caminhão que o transportou. A coordenação da frente optou pelo veículo porque não havia condições dele ir andando.
Alguns assessores ainda tentaram, em vão, proteger Lula com sombrinhas. Uma delas tinha as cores da bandeira de Pernambuco. Em seguida, Lula colocou um chapéu de couro. A segurança permitiu que militantes apertassem a mão do presidente. Muitas pessoas estavam emocionadas, gritavam e pulavam ao verem o petista, que chegou a autografar várias camisas vermelhas. Durante o trajeto, as pessoas saíam das lojas para cumprimentar Lula. As sacadas dos prédios também ficaram lotadas. O clima era de carnaval fora de época. Não faltaram bandeiras e faixas. Na Ponte Duarte Coelho, a militância evocou um parabéns a você em comomoração ao aniversário do presidente, que completou 65 anos anteontem. Mais à frente, Lula recebeu dois buquês de rosas. Depois, ganhou uma bandeira do Brasil.
A “apoteose” aconteceu no final da Boa Vista, após o cruzamento com a Rua da Soledade, quando carros-de-som começeram a tocar o “Lula lá”, jingle mais famoso do petista, feito para o segundo turno da campanha de 1989. Uma chuva de papel picado vinda do alto dos prédios completou o cenário. Emocionado, mas sem chorar, Lula acenava ao tempo em que cantava a música. Em seguida, a música mudou para “Dilma lá”. O presidente gravou um depoimento em vídeo agradecendo o apoio dos pernambucanos e exaltando o ex-governador Miguel Arrraes, destacando o ano de 1979, quando veio ao Recife encontrar-se com o avô de Eduardo que voltava do exílio.
A caminhada seguiu pela avenida Guararapes, terminando na Praça do Carmo com uma grande queima de fogos. Lula ainda cumprimentou populares, entrou no carro e seguiu para a Base Aérea sem dar entrevistas. O policiamento foi realizado pelo 16º Batalhão. O efetivo foi de 260 policiais militares - isso sem contar os seguranças do presidente e do governador e com os que ficaram à paisana. Furtos foram registrados, mas a quantidade não foi divulgada. Os militantes do Interior foram trazidos em mais de 30 ônibus, estacionados, em sua maioria, na rua da Aurora.Folha de Pernambuco

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