Além de definir quem será o novo presidente do Brasil, a eleição de amanhã deve abrir a porteira para entrada na pauta de alguns temas que vinham sendo postergados em função do cenário presidencial indefinido. Na oposição estadual, mais fragilizada após a apuração dos votos, no primeiro turno, algumas hipóteses para o futuro vão sendo lançadas na bolsa de apostas, levando em conta dois eventos possíveis: se o vencedor for José Serra (PSDB) ou se for Dilma Rousseff (PT).
Nos cálculos dos serristas, estaria em jogo não só a rearrumação de antigas alianças, como perspectivas para as disputas pela Prefeitura do Recife, em 2012, já rebatendo na próxima, para o Governo Estadual, em 2014. Não se desenha esse pós-eleições, no entanto, sem levar em conta as sequelas internas restantes desta campanha, a exemplo do distanciamento dos senadores Sérgio Guerra (PSDB) e Jarbas Vasconcelos (PMDB), assim como do agravamento do mal-estar já antigo entre PSDB e DEM.
No caso de Serra sair vencedor, imagina-se Sérgio Guerra assumindo um ministério, que poderia ser o de Minas e Energias. Ao mesmo tempo, não se descarta Guerra de volta à fila dos que pretendem tentar assumir o Governo do Estado, daqui a quatro anos. Em 2006, ele era um dos interessados em concorrer, mas acabou preterido em nome do então governador Mendonça Filho (DEM). O fato deixou mágoas que, nesta última campanha, transformaram-se em desentendimentos. Ainda nesse quadro, projeta-se uma aproximação mais nítida entre Guerra e o governador Eduardo Campos (PSB), que renderia uma sustentação à postulação do tucano na sucessão estadual.
Para a Prefeitura do Recife, o PSDB já teria se comprometido a apoiar uma candidatura do deputado federal Raul Jungmann (PPS), que lançou-se na corrida pelo Senado, este ano, oficialmente, por indicação dos tucanos. O pós-comunista assumira a vaga na chapa depois que Sérgio Guerra desistiu de concorrer à reeleição. Por enquanto, não há consenso na oposição quanto ao nome que disputaria a Prefeitura. No páreo, estariam, além de Jungmann, o deputado Raul Henry (PMDB), Mendonça Filho e o deputado estadual eleito Daniel Coelho (PV). Sem contar com os nomes que podem surgir da ala governista, já cogitados: o prefeito João da Costa (PT), o deputado Silvio Costa Filho (PTB), o federal eleito Danilo Cabral (PSB) e mesmo João Paulo (PT).
Na hipótese da vitória de Dilma, aí seria Guerra que se direcionaria com mais velocidade rumo a Eduardo, uma vez que as pontes com Jarbas, Mendonça e até mesmo com Raul Henry foram quebradas. Jungmann poderia ser recompensado como deputado pelo Brasil no Mercosul, indicado pelo PPS, já que a eleição será indireta.
Folha de Pernambuco

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