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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Indústria da picaretagem

O novo Congresso que saiu das urnas em 3 de outubro tem a obrigação moral de dar um basta na indústria da picaretagem que prospera no País tendo como fonte as pesquisas eleitorais. Longe de se proibir a divulgação de pesquisas, mas a sua regulamentação é inerente.
Regulamentar, em português claro, é disciplinar. Institutos que têm como clientes partidos políticos ou instituições atreladas ao Governo, por exemplo, deveriam ser proibidos de divulgar seus números, suas sondagens. Caso bem típico dessa aberração, hoje, se dá com o Ibope, o mais antigo e conhecido deles.
É sabido que o Ibope foi contratado para fazer pesquisas internas para o PT. Estando contratado pelo partido oficial, que tem uma candidata disputando as eleições, como é que o Ibope também pode ser contratado pela TV-Globo e o jornal O Estado de São Paulo?
O Ibope foi campeão em erros no primeiro turno. Nunca previu, na corrida presidencial, o segundo turno. Errou grosseiramente a pesquisa de boca-de-urna da eleição de presidente no primeiro turno e, nos Estados, nem se fala. No Paraná, previu uma eleição apertadíssima.
O tucano Beto Richa foi eleito com 10 pontos de frente. Previu que Netinho seria o senador mais votado de São Paulo. Este sequer foi eleito! Agora, o Ibope põe 11 pontos de frente para Dilma e o Sensus aponta empate técnico. Em quem confiar, então?
Magno Martins - Coluna da Folha

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